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Não
é certo que uma mentira, mil vezes repetida, se transforme em
verdade. Como não é certo que sejamos um povo de brandos costumes,
só porque essa efabulação é conveniente aos transitórios
ocupantes do poder.
Deu
jeito ao Estado Novo, dá agora jeito aos seus descendentes.
Imagino
as nossas hordas medievais, nas suas sortidas pelo sul, a
distribuírem abraços e beijos enquanto com meiguice expulsavam
aqueles que há séculos o habitavam. Contemplo com um ternurento e
cúmplice olhar as conquistas do norte de África e o comércio de
escravos na Guiné. Um sopro quente de complacência invade-me a alma
ao recordar a epopeia de Afonso de Albuquerque e de outros Vice-reis,
ou o esforço evangelizador em terras de Vera-Cruz.
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Quando
recebo uma conta para pagar, vejo detalhadamente as parcelas que a
compõem, seja a conta da luz, da água, do telefone… seja mesmo a
conta de um restaurante.
Faço-o por
uma questão de bom senso, não vou pagar o que não consumi, nem vou
pagar o que não acordei previamente com quem me presta o serviço.
Se não concordar com o que vejo, questiono e se não for esclarecido
nas minhas dúvidas protesto e não pago. Não tenho de pagar o que
não consumo e não tenho que recear fazer valer os meus direitos.
Pouco me importa que a outra parte fique melindrada. Estou apenas a
fazer valer os meus direitos.
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Composição da lista do BE pelo Círculo de Évora |
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